Meu gerânio em vaso tinha tudo para fazer parte de um jardim que comecei a imaginar quando voltei a morar em São Paulo.
A cidade, que não para e é repleta de possibilidades, trouxe também planos para minha casa, entre eles o desejo e confiança de ter um jardim como eu tinha antes.
A imaginação foi longe: pensei até em criar um cantinho outonal com falsa hera, um espaço para apreciar as mudanças das estações.
Mas, antes de tudo isso, comecei com uma caixa de gerânios, na esperança de vê-los crescer e transformar aquele vaso em uma composição frondosa, cheia de cores e vida.
Um jardim cheio de planos e expectativas
Fotografei as mudinhas e percebi que tinham aproximadamente 25 centímetros. Ainda eram pequenas, mas, na minha mente, eu já antevia um vaso de gerânios frondosos, multicoloridos e encantadores.
O tempo foi passando, e comecei a observar o desenvolvimento das mudas de gerânio.
Para minha preocupação, em vez de crescerem, os gerânios pareciam entrar cada vez mais em dormência e foram minguando.
A aparência era de quem estava perdendo as forças, quase em agonia.
O vaso ficava bem abaixo de um pé de camélia que, por sua vez, parecia não se importar com a situação.
Enquanto meus frágeis gerânios definhavam, a camélia exibia, orgulhosa, suas flores brancas.
Era quase uma ironia da natureza: uma planta celebrava sua floração enquanto a outra lutava para sobreviver.
Os gerânios e a passagem das estações
Comecei a culpar a terra, que me parecia fraca em matéria orgânica. Também hesitei em acrescentar adubos, receosa de fragilizar ainda mais as plantas diante das frentes frias que se aproximavam.
E assim fomos atravessando as estações, juntos, na luta pela sobrevivência.
Vieram ventos, chuvas, frio intenso e, depois, muito calor.
Não faltaram mudanças no tempo, mas minha esperança ainda persistia. Eu continuava observando, esperando por algum sinal de recuperação.
Diante de tanta fraqueza, resolvi transferir os gerânios para um vaso menor.
Talvez fosse uma oportunidade de recomeço, uma tentativa de oferecer às plantas condições melhores para se recuperarem.
Uma pequena esperança para o meu vaso de gerânios
E não é que surgiram pequenos sinais de vida? Algumas folhas bem verdinhas começaram a aparecer, trazendo de volta um pouco do encanto que eu havia imaginado lá no início.
Por um momento, voltei a acreditar naquele vaso de gerânios que tanto queria ver bonito no meu jardim.
Mas a alegria durou pouco. Numa bela manhã de primavera, descobri que as formigas haviam atacado meus frágeis companheiros.
Foi um novo desalento, e os gerânios não resistiram como eu esperava.
Hoje, o que tenho são gravetos secos e, entre eles, um pequeno broto de verde pálido que insiste em se fortalecer.
E eu continuo olhando para ele.
Quem sabe esse verdinho seja o começo de uma nova história? Ainda não desisti de ver meu vaso de gerânios maravilhoso, cheio de folhas e flores coloridas, como imaginei quando comprei aquelas primeiras mudinhas.
Na próxima postagem, quem sabe meu paciente gerânio já esteja pronto para ir ao sol do jardim e, finalmente, brilhar forte e saudável.
Por enquanto, sigo acompanhando seu tempo, porque a natureza tem seus próprios caminhos — e nem sempre eles acontecem no ritmo dos nossos planos.
"O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente. E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver."
Mario Quintana




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